sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Combate do Butui


Combate do BUTUI (25 de Jun de 1865)
Após a Invasão de São Borja, e o saque da cidade realizado pela tropa Paraguaia, os comandados do Ten. Cel. ESTIGARRIBIA seguiram na direção Sul, na margem Esquerda do Rio Uruguai, mantendo sempre contato  com a fração sob o comando do Maj. DUARTE que seguia para o Sul em território ARGENTINO. As duas frações faziam a ligação pelo rio, utilizando as canoas empregadas na Invasão de 10 de Junde 65.
Estigarribia determinou que um Btl. de Inf. montada, reforçado por elementos de Cavalaria, sob o comando do Maj. Lopes, seguisse pelo interior de São Borja atacando diversas fazendas que foram saqueadas, incendiadas e tiveram seu gado e cavalhadas arrebanhados.
Esta tropa foi localizada por elementos da 1ª Bda. de Cav. , após terem atravessado o rio Butui no passo de “Ana Hipólito”, atual ponte da BR SBO/ITQ, e infle tido para W, afim de juntar-se com o restante da tropa invasora. Os observadores informaram ao Cel. Fernandes de Lima, que esta vanguarda tinha um efetivo aproximado de 460 a 500 homens, todos montados.
O Cmt. da Bda. resolveu atacar, enviando, inicialmente os Rifleiros do 22 Corpo provisório  ao comando do Maj. SOUZA DOCA, fiscal do corpo que iniciou o tiroteio com o inimigo estendido em linha nas faldas da coxilha sob o banhado de São Donato, enquanto a Bda se aproximava para o combate, e que contava no momento com os 10º, 11º, 22º e 28º corpos provisórios,todos com pequenos efetivos, mais ou menos 200 homens cada, mal armados, predominando lanças e espadas. O inimigo ocupava o dispositivo com a cavalaria na ala direita sob o comando do Maj. Salvanach do exército Oriental, a infantaria em linha no centro e ala esquerda. A cavalaria foi atacada pelo Maj. Souza Doca e elementos do5º Provisório de Passo Fundo e frações do 28º.  Infantaria foi atacada pelos 10º e 11º corpos e cavalarianos do 22º. O 10º conseguiu envolve-la pela retaguarda. Às 13 horas chegou a 4ª Bda do Ten. Cel. Sezefredo que juntamente com a 1ª Bda reforçaram o ataque obrigado o inimigo a formar quadrado e retroceder algumas quadras (para enfrentar a cavalaria) Este quadrado foi atacado pela infantaria do Major Rodrigues Ramos de SOB (3º Btl), que juntamente  com o corpo da Missões, conseguiram romper o quadrado que começou a entrar de desordem e se refugiar nos matos existentes e nos banhados de São Donato, procurando locais  onde não era possível chegar a cavalaria da Bda.
O Cel. Fernandes de Lima, em face de impossibilidade de atacar pelo banhado, determinou a retirada para as unidades se reagruparem, pois o inimigo, ou o que restou dele, havia abandonado o campo de combate. Soube mais tarde que só alcançou a coluna principal às 22h00min do dia seguinte.
Foram encontrados 130 inimigos mortos, e o TC Estigarribia oficiou dia 28 ao Mal Solano Lopes, participando o encontro e informando a perda de 116 mortos e 120 feridos, sem contar os orientais e correntinos que integravam a sua coluna. Prosseguiu a marcha em direção a Itaqui.
As brigadas tomaram do inimigo duas bandeiras, todo o armamento encontrado e toda a cavalhada encilhada além do gado arrebanhado em São Borja.
As tropas rio-grandenses perderam 40 homens mortos (entre os quais um capitão e dois tenentes). Foram feridos 78 (entre os quais um Ten. Cel. e um alferes). Como não havia elementos de Saúde, os feridos foram transportados de carreta, por Maçambara até Alegrete, passando por Mariano Pinto ( cerca de 150 Km)                  


ANTECEDENTES DA GUERRA


Após a conquista da Península Ibérica por Napoleão, o rei da Espanha foi destituído do Poder em Madri. Em seu lugar Napoleão Colocou no Trono seu Próprio Irmão.
            Com a ausência do Rei, o império Espanhol começou a Ruir. A América Espanhola entrou em diferentes conflitos todos visando a Independência de Cada Região.
            Nesta ocasião o Paraguai, então uma Província do Vice Reinado do Prata Tornou- se independente por decisão do congresso ( CABILDO), sobre a chefia do Dr. Jorge Rodrigues de Frância que Governou por 29 anos até 1840. A partir daí o novo titular foi Carlos Antônio Lopes.
            Neste período governava Buenos Aires Juan Manoel Rosas (1829-1852), que queria restabelecer, juntamente com as províncias do Uruguai e Paraguai, o antigo Vice Reinado. Tudo fez para hostilizar o Paraguai inclusive restringindo a navegação fluvial no rio Paraná e conseqüentemente acesso ao Oceano Atlântico.
            Como conseqüência o governo de Carlos Lopes, iniciou preparativos para se defender dos vizinhos Argentina e Brasil, Contratou na Europa um numero elevado de técnicos e engenheiros que desenvolveram o país construindo Telegrafo, Estrada de Ferro, Fundição do Ibicuí, Estaleiros Navais em Assunção, Fabrica de Pólvora e Munição em Itacurubi etc.
            No final de seu Governo, seu filho como Ministro da Guerra visitou na Europa a Prússia, Bélgica, França e Inglaterra, onde foram reforçados os Técnicos e comprado armamento, munição e navios.
            O governo controlava todo o Comércio Exterior.
            Eram evitados a entrada de produtos estrangeiros por meio impostos elevados.
            Francisco Solano Lopes, filho de Carlos Antônio Lopes, substituiu o pai em 1862 e deu prosseguimento á política de seus antecessores contratando técnicos para a Indústria Têxteis, Papel, Tinta, Construção naval, Médicos e Farmacêuticos (Total + de 200).
            A fundição do Ibicuí instalada em 1850 fabricava canhões, morteiros, foguetes a Congrève e balas de todos os calibres.
            Face a este progresso, aumentou muito a necessidade estratégica de conseguir uma saída para o Mar, projeto chamado “ Paraguai Maior” com a inclusão futura de uma faixa do Território Brasileiro ou Uruguaio que liga-se ao litoral.
            Para sustentar suas intenções expansionistas, Lopez começou a preparar-se diplomática e militarmente. Incentivou a indústria de guerra e mobilizou grande quantidade de homens para o Exército reforçando as fortalezas sobre o rio Paraguai.
            No inicio da década de 60 era o País Sul Americano com maior Exército.

POLITICA PLATINA

            Com a independência do Brasil e Argentina no primeiro quarto do Século dezenove, continuou a hostilidade secular sempre existente entre Portugal e Espanha Temendo o excessivo fortalecimento Argentino, o Brasil favorecia o equilíbrio de poderes da Região, ajudando o Uruguai e Paraguai a conservarem a Soberania.
            O Brasil sob o domínio da família real (
D João VI), foi o primeiro país a reconhecer a Independência do Paraguai em 1811 na época em que a Argentina era governada por Juan Manuel Rosas ( 1829-1852 ), que era inimigo comum do Brasil e Paraguai.
            O Brasil contribui para o melhoramento das fortalezas e do Exército Paraguaio enviando para Assunção do Paraguai oficiais, Técnicos e Armamentos principalmente para Humaitá onde estiveram entre outros Vilagran Cabrita e Porto Carreiro.
            Como não havia estradas e ocorriam constantes enchentes no Pantanal, as ligações com Mato Grosso, obrigatoriamente eram feitos por navios através dos rios Paraná e Paraguai.
            Como o Uruguai foi uma Província brasileira no tempo de D.João VI e primeiros anos da independência e face ao alto valor dos campos do país, houve uma natural imigração de riograndenses para exploração da pecuária. Isto mais tarde foi à causa de atritos do Uruguai independente com os brasileiros.
            Tais atritos foram causa de varias intervenções militares culminando como motivo para Solano Lopes declarar guerra ao Brasil e apreender o nosso navio Marques de Olinda (11 Novembro de 1864), que ia para o Mato Grosso conduzindo o recém nomeado presidente da província.
            Como conseqüência da declaração de guerra em 24 de Dezembro de 1864, Lopes efetuou a invasão de Mato Grosso com 2 colunas.Uma sobre o comando do Gen.Vicente Barrios com 4000 homens abordo de 10 navios da esquadra subiu o rio Paraguai e atacou o forte de Coimbra a comando do TC Hermenegildo Porto Carrero que resistiu por 3 dias infringindo cerca de 200 baixas ao inimigo.
            Por falta de munição os 250 militares e familiares abandonaram o forte abordo de uma corveta (Amambaí) e se refugiaram em Corumbá que no ano seguinte foi conquistada.
            A 2° coluna comandada pelo General Francisco Resquim, com cerca de 3500 homens (com predomínio de cavalaria), invadiu por terra o Mato Grosso atacando, Dourados, (Antônio João), Nioaque Miranda.
            O Mato Grosso ficou sob o domínio Paraguaio até 1868.

TRATADO DA TRIPLICE ALIANÇA
Calendário:
1864
Fev. Mobilização geral do Paraguai
Ag. 30 – Ultimato Paraguaio ao Brasil- intervenção na ROU.
Out. 16- tropas brasileiras invadem a ROU
Nov. 12- Apreensão do vapor Marques de Olinda.
Dez. 13- Declaração de Guerra ao Brasil.
Dez. 24- Invasão do Mato Grosso- duas colunas.
1865
Jan. Argentina nega autorização para passagem de tropa paraguaia em seu território.
Mar. 18 declaração de guerra a Argentina.
Abr. 13- Tomada de Corrientes
Maio 01- Tratado da Triplice Aliança- Base naval em Buenos Aires – Estigarribia atravessa o Paraná.
Jun. 10- Invasão de São Borja
Jun. 11- Batalha Naval do Riachuelo- Bloqueio da esquadra Paraguaia.
Jun. 26- Combate do Butui.
Em abril de 1862 o general Bartolomeu Mitre assume o governo da Argentina, após o combate de Pavan, e derrota de Urquiza (Governador de Corrientes) Mitre, em principio era neutro nas disputas da Banda Oriental.
Em Janeiro de 1865, com a negação da passagem das tropas paraguaias Por seu território, demonstrou uma parcialidade. Com a invasão de Corrientes, conseguiu unir a Argentina, e aproximou-se do Brasil, tendo inicio as conversações para o Tratado da Tríplice Aliança.
CORRIENTES

Após a declaração de guerra e invasão do Mato Grosso, Lopez resolveu dar prosseguimento ao seu plano da saída para o Mar.
Don Pedro II, em virtude da fraqueza do Exército (14 mil homens do Brasil contra 60 mil do Paraguai) e como não existiam reservas, resolveu criar o corpo de Voluntários da Pátria em todas as províncias.
Lopes dentro do seu planejamento resolveu atacar a Argentina.
 A 13 de Abril de 1865 uma tropa de ± 4000 homens transportados em 5 navios ao comando do General Robles atacou Corrientes apoderando-se de 2 navios de guerra e conquistando a cidade Argentina.
Uma segunda coluna atravessou as margens do Paraná nas Três Bocas e seguiu por terra na margem esquerda do Paraná.
Esta coluna seguiu para o Sul até a localidade de Goya.
Lopes após a conquista de Corrientes tinha planos de atravessar a província de Entre Rios e juntar-se com Estigarribia que vinha pelas margens direita e esquerda do Uruguai.
Havia planos e entendimentos com o presidente da província, Urquiza que era inimigo de Mitre (presidente da Argentina), de um levante em apoio a Lopez o que de fato não o correu.


A GUARDA NACIONAL

Quando Dom João VI veio para o Brasil em 1808 não existia um Exército constituído, apenas unidades de Milícias.
D. João em sua frota trouxe a Armada Portuguesa e unidades do Exército.
Quatorze anos após- em 1822 – foi forçado pelas Cortes a regressar a Portugal, levando a Esquadra e parte do Exército.
Dom Pedro I, após a Independência, dada a falta de Exército, foi obrigado a contratar Mercenários na Europa – Foram cerca de 6 mil entre Alemães e Escoceses.
Igualmente ficou sem Marinha e foi obrigado a contratar o inglês Almirante Cocrhane que trouxe vários navios ingleses que se tornaram mercenários. (Primeira marinha do Brasil)
E assim decorreu a década após a independência com guerra com a Argentina em terra e mar. Como conseqüência houve a Batalha do Passo do Rosário e conseqüente independência do Uruguai.
As tropas mercenárias após sete anos terminaram o contrato ocorrendo antes uma revolta no Rio de Janeiro, mas que foi resolvida.
Alguns retornaram para Europa e outros ficaram no Brasil.
Com o regresso de D. Pedro I em 1831, foi instalada a Regência que face a má fama do Exército regular criou a Guarda Nacional.
A história atesta que alguns corpos demonstraram bravura e patriotismo, principalmente a Cavalaria gaucha, veterana de várias campanhas.
Copiada da França durante a regência, atendia a tradição do cidadão soldado, mas não acompanhava as inovações da era industrial, com novos armamentos e novas táticas, Era comandada pelo juiz de Paz e Presidente da Província que nomeava Oficiais e Comandantes que variava politicamente em função do Partido do Poder.
Não tinham instrução e não faziam exercícios de combinação das Armas.  Consta que foi usada como força eleitoral.
Após o inicio da Guerra cooperou para o aumento dos efetivos do Exercito.
Em 1865, com os, voluntários da Pátria dobrou os efetivos do Ex.,atingindo até o fim da Guerra cerca de 39 mil militares.
Em 1865 quando da invasão de São Borja, vigiava a fronteira uma Brigada de Cavalaria com 5 corpos de Cavalaria e 1 Cia de Infantaria.
O armamento era particular ou de donos de e estâncias espada e lança (quem tinha uma não tinha a outra) muito poucas armas (clavinas e Pistolas) todas com chispas de Sílica. Não existia a artilharia e a maioria das lanças era feita com tesoura utilizada para Esquila. Não haviam recebido uniformes nem pessoal de saúde. A primeira brigada era composta de pelos 10,11,22,23,28 corpo de cavalaria + 1 Cia de infantaria. 

INVASÃO DO RIO GRANDE DO SUL
Em maio de 1865 uma divisão Paraguaia ao comando do TC Estigarribia, cruzou o rio Paraná na altura de Encarnacion e se deslocou para o sul na margem direita do Uruguai até Santo Tomé.
            A 10 de Junho efetivou a invasão.
Era composta de 12 mil homens com tropas das três armas (20 canoas e varias balsas). Esta divisão era toda armada com fuzis tipo Minié inportados da Inglaterra
(Marca Enfield)
Parte da tropa → 4000 homens a Cmdo do Major Duarte seguiu para o Sul na margem direita do Uruguai os 8000 restante invadiram São Borja com 4 batalhões de infantaria (14,15,17,22 ) e 2 regimentos de cavalaria (27,28 ) com quatro canhões pequenos, ficando parte da divisão em reserva.


DEFESA DE SÃO BORJA 10 de Jun de 1865

Comandava a infantaria da Guarda Nacional do Passo o Maj Rodrigues Ramos com 130 homens que ao avistar o Inimigo na outra margem com grandes efetivos e muitas carretas carregadas de canoas e balsas, mandou alertar o Cmt do Btl Reserva da vila e ao Cmt do 22º Corpo de Cav da GN que estava acampado a cerca de uma légua do local de ataque.
Foi enviado também um aviso ao Cel Mena Barreto, cmt do 1º Btl de Voluntários da Pátria que estava acampado no atual Capão dos Voluntários.
Logo que as carretas chegaram na barranca , desembarcaram 20  Canoas e Balsas que foram ocupadas por 20  soldados cada . A artilharia iniciou os tiros contra a tropa da GN enquanto era iniciada a travessia em direção à Barranca Pelada no lado Brasileiro.
O Maj Ramos dividiu a Cia em quatro Pelotões e iniciou o tiroteio, tendo abatido vários inimigos que caíram no Rio. Face esta resistência a leva retornou ao ponto de saída e logo voltou em direção a pontos distintos, obrigando o remanejo dos pelotões.
Chega nesta altura o 22º Corpo de Cav da GN (-), que atacou a ala direita do inimigo, sob o comando do Maj Souza Docca com um Esqd de rifleiros e outro de lanceiros, conseguindo socorrer um pelotão de Inf que estava sendo cercado.
Também chega nesta hora outro Btl de Inf paraguaio que havia cruzado o Rio na noite anterior na altura de Santo Tomé, que estava atacando pelo norte.
Continuou o tiroteio com recuo da tropa brasileira e avanço do Ini, quando cerca de 13h30min. Apresenta-se nas bocas de rua o 1º de Voluntários que formou em linha acompanhado da banda de música e Bandeira. A linha paraguaia estava na altura da Cruz Grande onde na década de vinte foi construído o atual aquartelamento do Reg João Manoel.
As canoas continuaram transportando 400 homens em cada leva. Eram cerca de 3000 inimigos com uma bateria de 4 Canhões contra os 237 GN e o reforço dos Voluntários.
A chegada dos Voluntários assustou o Inimigo que, com a ação da cavalaria pelos flancos, formou Quadrado e retraiu para o Passo.
A tropa brasileira guarneceu a bocas de rua, protegendo as famílias, que estavam abandonando acidade.
A ação de retraimento, seguiu em direção a Alegrete. No dia 26 de Jun travou-se o combate do Butui contra uma vanguarda Paraguaia de 460/500 homens que foi desbaratada com 130 mortos conforme oficio do TC Estigarribia ao  Mal. Solano Lopes.
Perdas Brasileiras: Neste dia foram mortos 22  militares (sete do Btl. de Voluntários e quinze da GN.)
Feridos: sessenta e quatro (vinte e nove do BTL. Vol, e trinta e cinco da GN.)
Com o recuo Paraguaio, houve tempo de iniciar o Êxodo ,das famílias sobre a proteção da GN. E Batalhão de Voluntários.
O rumo foi, Serra do Iguariaça – Santiago e Alegrete. Após este encontro os Paraguaios retrocederam para o rio Uruguai aguardando reforços. Após dois dias retornaram conquistando e saqueando a cidade que ficara deserta.
Prosseguiram pela margem esquerda do Uruguai, sempre em contato com o Major Duarte que seguia pela margem direita.
Invadiram Itaqui e prosseguiram para Uruguaiana onde foram cercados e em Setembro do mesmo ano quando foram rendidos pelas tropas aliadas com a presença de D. Pedro II. Após a rendição Paraguaia, o Imperador subiu o rio Uruguai e visitou Itaqui e São Borja.

O Barão do Rio Branco, em 1906 em uma homenagem que o exercito lhe fez disse o seguinte: “Na ordem Internacional, a melhor prova de sensatez e inteligência ainda é, amparar as boas intenções com preparo militar e as melhores armas”
BIBLIOGRAFIA:
1.Evolução Militar do Brasil – João Batista de Magalhães
2.A Catástrofe de erros – J. F. Maia Pedroza
3.A invasão de São  Borja – Osório Tuyuty de Oliveira
4.A invasão paraguaia – Conego João Pedro Gay
5.O Brasil em face do Prata – Gustavo Barroso
6.Crônica  de D. João VI – Paulo Napoleão Nogueira da Silva
7.La Guerra del Paraguai contra La Triplice Alianza – Pelhan Horton Box
8. Os mercenários do imperador – Juvêncio Saldanha Lemos
9.A história militar do Brasil – G. Vasconcelos
10.  Lutas no sul do Brasil contra os espanhóis e seus decendentes – Gen Francisco de Paula Cidade
11.  O Portal do Rio Grande- Jesus Pahim
12.  InvasãoHistoria da 3ª RM- Claudio Moreira Bento

FLOTILHA DO ALTO URUGUAI
1)                  Em 1865, após a rendição Paraguaia em Uruguaiana, D. Pedro II acompanhado de todo seu Estado Maior, resolveu subir o RIO URUGUAI e visitar as cidades de ITAQUI E SÃO BORJA, para ver “in loco” os estragos feitos pelos paraguaios.
2)                  Como conseqüência desta visita determinou ao Almirante Tamandaré que criasse uma base fluvial no Porto de Itaqui.
3)                  Em princípios de 1866, vieram os vapores TAQUARI, URUGAI, TRAMANDAI e canhoneira LAMEGO, e foi organizada a flotilha sob o CMDO do Tenente LOMBA. Mais tarde chegou o primeiro tenente STANISLAU PREZEWODOWSKI, trazendo os monitores Rio Grande e Alagoas.
Logo após o governo adquiriu o terreno necessário ao Estabelecimento Naval.
4)                  ARSENAL, com a possibilidade d fazer manutenção de pequenos barcos e nos vapores da flotilha.
Possuía residência do CMT, instalações para pessoal, oficina, marcenaria, deposito de armamento, enfermaria, deposito naval, deposito de carvão e paiol.
5)                  A Flotilha foi extinta em 1906; contribuiu para a construção do Hospital de Itaqui, e aperfeiçoou durante vários anos, vários elementos em distintas atividades navais.
6)                  Incidente de Alvear- 18 de julho de 1874.

MARINHA DO BRASIL
O governo Imperial a partir de 1847 iniciou a reestruturação da Armada.
            Dispunha então de 1 Fragata (a vela), 8 corvetas, 20 canhoneiras e 8 Transportes   ( todos a vapor).
            Quando da campanha do Uruguai, esta frota efetuou o bloqueio de Montevideo,Colônia e Paysandu e combate naval do Riachuelo ( 11 de Jun 1865 )
            A distancia entre Rio de Janeiro e Assunção do Paraguai é de 3741 km, houve necessidade de estabelecer uma base intermediária que, com o tratado da Tríplice Aliança  foi sediado em Buenos Aires que ficava situado a 1100 km de Assunção do Paraguai..
            No final da década de 50 e inicio de 60 surgiram na Europa os primeiros navios com Couraça, protegendo a debilidade dos cascos de madeira.
            Durante a guerra civil Americana surgiram os primeiros navios com cascos de aço.
            O Brasil equipou o Arsenal de marinha do Rio de Janeiro que construiu três encouraçados e encomendou mais 8  na Inglaterra e França.           O
Arsenal também construiu seis monitores encouraçados três anos apenas após o famoso combate de Hampton Roads nos Estados Unidos.

Enquanto os encouraçados não chegavam ao teatro o que só ocorreu em 1866, qualquer tentativa de desembarque anfíbio no Passo da Pátria seria arriscada pelo desconhecimento das defesas de terra e a vulnerabilidade dos navios de madeira.
            Somente a 16 de Abril de 1866 teve inicio o desembarque no Passo da Pátria, tendo o General Osório comandado a primeira tropa que pisou em solo Guarani.

CALENDARIO

V amos observar as seguintes datas:
1864
Ø  Fevereiro            → Mobilização geral no Paraguai
Ø  30 de Agosto      → Ultimato Paraguaio ao Brasil quanto às intervenções na ROU                  
Ø  16 de Outubro    → Tropas Brasileiras invadem a ROU
Ø  12 de Novembro→ Apreensão do Marques de Olinda
Ø  13 de Dezembro → Declaração de Guerra ao Brasil
Ø  24 de Dezembro → Invasão de Matogrosso Forte de Coimbra

1865

Ø  18 de Março   → Declaração de Guerra à Argentina
Ø  13 de Abril   → Tomada de Corrientes
Ø    1 de Maio        → Tratado Tríplice Aliança
  Maio        → Divisão Estigarribia atravessa o Paraná em Encarnacion
Ø  10 de junho        → Invasão de São Borja.
Ø  11 de junho        → Batalha do Riachuelo
                           → O Paraguai é Bloqueado pela Esquadra Brasileira
Ø  14 de Setembro   → Divisão Estigarribia rende-se aos Aliados em UGE
Ø  Setembro             → Empréstimo Brasileiro de 7 milhões de libras Banco
Rothscild-Londres
ØNovembro    → Exército Paraguaio Retira-se do Território Aliado.   ( exceto no Mato Grosso ) 
1866

Ø  16 de Abril         →  Passo da Pátria
Ø  24 de Maio         →  Batalha do Tuiuti
Ø    3 de Setembro  →  Batalha do Curuzu
Ø  22 de Setembro  →  Batalha do Curupaiti
Ø            Outubro    →  Nomeação de Caxias
Ø            Novembro→  Revolução Montonera contra Mitre

     1867

Ø  Maio / Junho      → Retirada da Laguna
Ø      11 de agosto   → Esquadra contra Curupaiti
Ø   3  de Novembro → Segunda batalha de Tuiuti


     1868

Ø  18 de Fevereiro  →  Marinha passa por Humaitá
Ø    5 de Agosto      →  Ocupação de Humaitá
Ø           Outubro     →  Marcha de Flanco
Ø           Dezembro  →  Campanha da Dezembrada ( Itororó,Avai, Lomas Valentinas )

  
  1869

Ø            Janeiro     → Ocupação de Assunção pelas tropas Brasileira.
                                → Afastamento de Caxias do comando do Exército
Ø     15 de Abril     → Oconde d’Eu assume o comando das forças Aliadas
Ø  16 de Agosto     → Batalha de Campo Grande

     1870
Ø  1º de Março → Combate de Cerro Cora. Morte do Mal. LOPES.
                                   → Fim da Guerra







        

A Guerra da Tríplice Aliança


        A Guerra da Tríplice Aliança

   A guerra da Tríplice, Aliança e suas implicações para a Região da Fronteira Sul do Brasil, Destacando a Invasão Paraguaia no Rio  Grande do Sul.

1)    Com a declaração de guerra pelo Paraguai, e invasão do Mato Grosso em 24 de dez. de 1864 a Guerra tornou-se legitima defesa para o Brasil. ( Império ,Parlamento e \Povo.

2)    O desdobramento do após Guerra e que desenvolveu o sentimento Corporativo, que até então não existia.

3)    Tal sentimento foi caracterizado pela  amargura para com os civis (alto escalão) que apenas souberam enumerar criticas durante a Guerra, depois de terem menosprezado o preparo Militar da Nação.

4)    Os Ex combatentes observaram que o Império  aregou-se novamente ao civilismo intransigente, pelo abandono do Exercito.

5)    Tivemos o incremento da política  contra a escravatura inteiramente  apoiada pelos Militares.

6)    A propaganda Positivista provocando evasão de Militares para atividades Civis e para a Política.

7)    Apoio integral a implantação  da Republica.

8)    O descaso ao Exercito na sua instrução da  e armamento ocasionando os desastres e das campanhas do Antonio Conselheiro (CANUDOS) e do CONTESTADO , PR.e SC.

9)    Como conseqüência da Guerra a Argentina enriqueceu  pelo fornecimento de gêneros, carvão , material de saúde , carne, cavalos e muares.Para o Exercito Brasileiro – a peso de libras.Este enriquecimento, provocou a vinda de capitais ingleses e o desenvolvimento das ferrovias, que devido as imensas planuras amplio-se com facilidades.

10)a Argentina ampliou seu Exercito , obrigando o Brasil a reforçar sua fronteira Sul , inclusive com a construção  de ferrovias  estratégicas.
  
    11) Após  a Rendição de Uruguaiana , D. Pedro II subiu o rio Uruguai e visitou  Itaqui e São Borja. Por proposta de Tamandaré foi organizado em1866 uma Flotilha Fluvial em Itaqui com a construção de um quartel e Arsenal.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013


HISTÓRIAS  E CAUSOS
1)    Meu bisavô, quando estava para casar, conversando com seu futuro sogro, ele lhe disse que deveria comprar um escravo, pois sua noiva possuía uma escrava, e necessitava de um macho para “cruzar”
Ele respondeu que era Veterano da guerra do Paraguay, e que lá os brasileiros eram muito criticados por ainda vigorar a escravidão. Que ele nunca compraria um escravo.
A conversa ficou por aí; até o casamento, quando o sogro  deu-lhe de presente um escravo de “papel passado”, como se desse um cavalo. Ele chamava-se AMARO. Como foi com documento escrito, aceitou a doação. Porem Amaro nunca foi escravo, sempre seu empregado; inicialmente como peão e mais tarde como capataz. Eu o conheci com mais de 90 anos. Era pai do capataz do meu avô- Gideão e tinha outros filhos e netos.
Uma vez cheguei na fazenda , em férias, e fui visitar o “tio” Amaro. Encontrei fazendo “palitos” com madeira dura, uma faca afiada e depois colocando-os em uma caixa. Perguntei que mais fazia. Informou que de manhã e de tarde “tropiava” os pintos da Comadre, que era minha avó.
2)    Quando a Princesa Isabel assinou a Libertação dos escravos, na mesma lei, determinou que os proprietários, deveriam fazer o registros dos escravos em Cartório, dando também um sobrenome. Contou meu bisavô que disse ao Amaro, que a partir de agora seu sobrenome era Nascimento –sobrenome de sua Mãe Luzia, pois Vargas era para seus filhos.
3)    Uma vez, na fazenda, soube que “tio” Amaro desempenhava as funções de Estafeta. Ia para São Borja nos dias de chegada do trem, a cavalo. Pernoitava e no dia seguinte trazia a correspondência (cartas e o Correio do Povo). Por ser muito idoso, dormia no cavalo, que ao chegar nas porteiras ou cancelas, como o cavalo não podia abri-las, retornava a fazenda com o estafeta dormindo.
4)    Assisti uma vez o avô acertar o relógio ao pôr do Sol. Na época em São Borja não existia estação de rádio, para ouvir alguma coisa, era necessário sintonizar as rádios de Buenos Aires. Assim sendo ele mandou vir do Rio de Janeiro um almanaque que continha a hora certa do nascer e pôr do Sol em todo o Brasil, por regiões e por época do ano. Ao chegar encontrei o bisavô com o almanaque em cima de uma mesa e o relógio de ouro na mão. Nos fundos da casa havia uma árvore bem alta e copada. Estava junto um negrinho, e ouvi: sobe rápido e me avisa a hora em que o sol se esconder na Argentina. E assim foi feito. Num determinado momento o negrinho gritou “Entrou, entrou seu Vargas” e ele acertou o relógio.
5)    Irmãos do Gen Vargas. Ele era décimo filho de uma “ninhada”de dezessete irmãos.Como ele era uma pessoa de destaque, a irmandade seguidamente, vinha fazer longas visitas. Às vezes ele estava lendo o jornal e dormia. Vó Candoca chamava atenção e ele acordava. Certa vez vieram duas irmãs do interior. Após esgotar todos os assuntos, Vó Candoca perguntou “Se na sua região ainda comiam muito cuscuz (prato feito com milho), ao que responderam, meio ofendidas, “nóis comemo com as bocas”, e não falaram mais nada.
6)     Em outra ocasião, veio um compadre que era bastante surdo e que ficara para o jantar, quando foi servida uma sopa. D Cândida, em certo momento indagou “Compadre, como está à comadre?” O convidado preocupado com a sopa, respondeu “Está boa, mas quente como o diabo”
7)    Libertação dos escravos. Contou-me meu bisavô, que quando a Princesa Isabel, assinou a Lei Aurea, libertando os escravos, determinou que cada proprietário de escravos, desse aos mesmos um sobrenome e os registrasse em cartórios. Como ele tinha o Amaro que era seu capataz, chamou-o e disse que não daria o sobrenome de Vargas, porque este era de seus filhos, mas daria o de Nascimento, que era o sobrenome de sua mãe. Luzia Nascimento Vargas Em São Borja a família Nascimento é bem numerosa. 

VARGAS


VARGAS:
1           Introdução:

2)    Origem do nome: Durante o Império Romano, existia na Germânia uma região de várzeas, e naquela época os sobrenomes eram raros. O normal era nomear o fulano da Várzea, Fernando de Aragão, Isabel de Costela. Consta que um senador romano- Lucio Vargusto- veio da Germânia para a península Ibérica, trazendo o nome que queria dizer “pai bom”.  Como é de conhecimento geral, a Espanha foi dominada pelos árabes por 800 anos. Na idade Média no Norte da Península surgiram os reis católicos Isabel de Castela e Fernando de Aragão, que iniciaram a guerra para expulsão dos maometanos. Consta que um dos chefes chamava-se Vargas e se destacou nos combates e recebeu um titulo nobre. Dai o Brasão os nomes Vargas passaram para Portugal e depois para Açores- ilha do Faial.

3)    Marques de Pombal e o Terremoto de 1754 em Lisboa e Açores. Decisão de colocar os casais açorianos em terras de colônia do Brasil. Nesta época- em função do Tratado de Madri- ficou decidido, Portugal entregar a Colônia de Sacramento e em troca receber os Sete Povos das Missões. Houve revolta dos jesuítas e Guaranis em conseqüência a guerra Guaranítica. Os casais em vez de serem conduzidos para as Missões foram desembarcados na ilha do Desterro, Rio Grande, Porto dos Casais, Taquari, Triunfo e Rio Pardo

4)    Primeiro Vargas que temos Notícia.
Manoel José de Vargas, nascido em Rio Grande seus pais oriundos da ilha do Faial. Ainda jovem sentou  praça em um Regimento da Fronteira; e de guerra em guerra foi sendo promovido, sendo Major na Farroupilha. Recebeu uma Sesmaria dos Vargas no rio Camaqua. Uma Filha que residia em Rio Pardo casou com um paulista de nome Bueno e tiveram quatro filhos. Numa determinada época o paulista arranjou outra mulher e abandonou Ana Joaquina e os quatro filhos. Esta mais tarde pegou uma carreta e acompanhada por uma índia chamada Marusca, dirigiu-se para outra vila que tinha um padre e registrou novamente os filhos omitindo o Bueno. O segundo filho chamava-se Evaristo. Mais tarde casou-se com uma portuguesa chamada Luzia e foram residir em Passo Fundo na localidade de Pulador; La tiveram 17 filhos, o décimo filho chamava-se Manoel Do Nascimento Vargas; mudaram-se para Santiago,atual Unistalda onde Manoel era Bolicheiro.

5)    1864 - Invasão Paraguaia no Mato Grosso.
Após a invasão o Paraguai declarou Guerra ao Brasil e logo e logo em seguida em seguida invadiu a Argentina conquistando Corrientes. Don Pedro II criou as unidades de Voluntários da Pátria. Manoel com 20 anos de idade apresentou-se no 28º Corpo de Cavalaria em São Borja, como sabia ler e escrever, foi admitido como Cabo. Tomou parte no combate do Butui e na defesa de São Borja, em junho de 1865. Participou da rendição de Uruguaiana em set. do mesmo ano Atravessou a Província de Corrientes e entrou no território Paraguaio no Passo da Pátria. Tomou parte em vários combates, sendo ferido por lança em Humaitá. Ficou até o fim da guerra tendo voltado como Capitão.

6)    Casamento - Familia.
Em São Borja exerceu atividades de comércio, tendo casado com Cândida Dornelles, tiveram cinco filhos: Viriato, Protasio, Getulio, Spartaco, e Bejamin.

             
       GETÚLIO

1)    Nascimento em 19 abril 1882. Infância em SBO. Local de nascimento Fazenda do Triunfo ao norte de Nhu Porã, próximo ao rio Piauí, afluente do Icamaqua.

2)    Ida com os irmãos mais velhos para Ouro Preto (MG) para fazer os preparatórios. Incidente com estudantes paulistas obrigou os irmãos Vargas a retornar para SOB. Feitos os Preparatórios resolveu seguir carreira militar. Na época o caminho normal era sentar praça e se candidatar a escola militar. Em 1998 sentou praça no 6º BTL. De inf. Acantonado no passo de SOB – atual Corsan. No ano seguinte conseguiu Matricula na Escola Militar de Rio Pardo. Era aluno quando houve um problema com colegas que foram desligados. Ele que não participara, solidarizou-se e foi transferido para o 25º Btl. Inf em Porto Alegre. Nesta época já era Sargento e desenvolvia-se a questão do Acre entre o Brasil e Bolívia. Sua unidade foi transferida a para Corumbá (MT). Felizmente a questão foi resolvida pelo Itamaraty- Rio Branco, Getúlio completou o tempo de Sv. E retornou a POA.

3)    Tempo Acadêmico e como político.
Matriculou-se na Escola de Direito, tendo-se formado em 1909. Foi nomeado Promotor tendo atuado em POA. Casou-se em 1910 com a samborjense Darcy Sarmanho que tinha 15 anos.
Advogou na Fronteira Oeste até que foi eleito Deputado Provincial. Em 1923 tomou parte na revolução ao lado do Governo tendo comandado um corpo provisório que se deslocou de São Borja quando foi eleito deputado federal. Passou o comando e seguiu para Rio de Janeiro, foi eleito líder da bancada gaucha. Mais tarde foi convidado pelo presidente Washington Luiz para assumir o ministério da Fazenda. Em 1927 foi lançada sua candidatura ao governo do Rio Grande do Sul, sendo eleito e assumido em 1928. Criou o Banrisul com uma seção especializada em credito para agricultura e pecuária; melhorou e aumentou a rede Ferroviária, construiu 35 estabelecimentos escolares. Em 1929 teve o seu nome lançado pra Presidente da Republica. Concorreu a eleição e foi derrotado, dizem que havia muita fraude na Atas de apuração. A partir de 1930 ainda como presidentes do Estado iniciou os Planejamentos para a Revolução de 30.

4)    Revolução de Trinta
Com outros políticos, e contando com o setor Militar, foram feitos preparativos para desencadeá-la em outubro de 1930. O comandante do 3º RCI de São Luiz Gonzaga Tenente Coronel Aurelio de Goes Monteiro, casado com uma filha do medico pecuarista Saint Pastus, era o coordenador no meio militar. A revolução foi vitoriosa no RS, SC e PR. Seguiu Getúlio por via Férrea tendo permanecido alguns dias em Ponta Grossa e entrando em São Paulo onde foi aclamado.
Neste ínterim os políticos do Rio e Chefes Militares- face ao sucesso da revolução em todo o país, depuseram o presidente, nomearam uma junta provisória e entregaram o governo a Getúlio Vargas quando chegou ao Rio. Tomou posse a 03 de novembro. Criou o ministério de educação e saúde publica o ministério do trabalho e indústria e comercio.

5)    Revolução de 1932 em São Paulo
Elementos civis e militares de São Paulo e Mato Grosso desencadearam uma revolta chamada constitucionalista que durou três meses e foi derrotada pelas forças armadas e tropas da Brigada Militar (RS).

6)    Em 1934 foi eleita a assembléia constituinte que promulgou nova constituição e elegeu Getúlio legalmente presidente.
Face a grande recessão de 1930, de âmbito mundial, surgiram na Europa governos fortes como Nazismo, o Fascismo, e o comunismo que fora implantado em 1917.


7)    Revolta Comunista
O comunismo queria dominar o Mundo e adotava como política selecionar líderes esquerdistas em diferentes países conduzi-los a Moscou, matriculá-los em cursos especiais, para ao regresso chefiassem os movimentos de tomada de poder.
No Brasil foi escolhido o ex-capitão de engenharia Luis Carlos Prestes que havia chefiado a revolução de 1924 e a coluna Prestes que terminou com a internação dos revoltosos na Bolívia, Prestes foi enviado a Moscou, fez o estagio e retornou acompanhado da comunista alemã de Munique- Olga Benario. No Brasil, em parte pela atuação trabalhista de Getúlio não havia penetração ideológica nos meios trabalhistas. Prestes e Olga resolveram tomar o poder atuando nos meios militares.
Iniciou a intentona Comunista em Natal e Recife no dia 23 de novembro de 1935. Imediatamente o governo decretou o estado de sitio e tomou as providencias necessária. Dia 27 de novembro estourou a revolta, inicialmente no Campo dos Afonsos- Regimento de aviação do exercito e Escola de Aviação. No mesmo dia revoltou-se o 3º Regimento de Infantaria aquartelada na Praia Vermelha. O governo combateu a revolta e na parte da tarde estava tudo controlado. Houveram muitas prisões e condenações sendo os principais dirigentes exilados em Clevelândia na foz do Oiapoque. Prestes e Olga foram em seguida presos no Rio de Janeiro.

8)    Revolta Integralista (maio de 1938),
O partido Integralista da Direita era inspirado no Facismo e combatia o comunismo. Houve grande infiltração nos meios militares, mas com a repressão do governo, resolveram acelerar a tomada do poder com o assalto ao Palácio Guanabara, assassinato do Presidente e a família. Houve mortos e feridos de elementos de segurança do Palácio, mas o Presidente e a família nada sofreram. Os revoltosos foram perseguidos e presos pela policia e forças do exercito. A partir desses fatos o presidente foi aconselhado e criou a guarda de segurança pessoal.

9)    Estado Novo
Getúlio sentiu necessidade de ter um governo forte, e em novembro de 1938, apoiado pelas forças armadas deu o golpe de Estado Novo, fechado o congresso. Tal regime forte perdurou até agosto de 1945.
Em 1939 estourou a segunda Grande Guerra com a invasão da Polônia pela Alemanha nazista.
O governo brasileiro havia adquirido material Bélico na Alemanha fabrica krupp. A encomenda ficou pronta em 1940, como era um país Neutro, em dois navios iniciou-se o transporte do material que foi aprisionado pela Armada Inglesa e confinado no porto de Lisboa. Os entendimentos se prolongaram por seis meses, findos os quais conseguimos a liberação.

10)           Ligação com os Estados Unidos
Com o desenvolvimento da II Guerra, o norte e oeste da África estavam sob o domínio Nazi-Fascista. Havia ameaça de ataque a America principalmente ao canal do Panamá. Havia também planejamentos de uma segunda frente com invasão da África por parte dos aliados. Secretamente o governo americano entrou em entendimentos com Getulio para conseguir bases aéreas e navios para o nordeste que possibilitassem uma ponte do NE ate Dakar na África. Para despistar, financiada pelo governo americano, a companhia Aérea Panair iniciou a construção de bases aéreas em Macapá, Belém, São Luiz, Fortaleza, Natal e Recife e alem de Fernando de Noronha. O Porto de Recife foi ocupado pela IV esquadra americana. Estes fatos levaram os alemães e italianos, como represália, iniciar o Torpedeamento de navios mercantes brasileiros, inicialmente na costa leste dos EUA, mar do caribe e costas brasileiras. Tivemos 34 vapores afundados com perdas humanas de mais de mil brasileiros.
Em troca da utilização das bases no Norte e Nordeste, o governo pleiteou dos EUA financiamento e planejamento para a construção da usina siderúrgica de Volta Redonda.

11)          Entrada na II Grande Guerra

Como conseqüência dos torpedeamentos, o Brasil rompeu as relações com os países do Eixo. Recebeu apoio aéreo e naval dos EEUU, e assegurou um movimento entre o Nordeste do Brasil e Dakar, em uma proporção de quase um avião a cada minuto. Após o desembarque aliado na África, o Brasil prontificou-se a enviar uma Divisão de Infantaria com mais ou menos 25.000 homens e mais um Grupo de Aviação de caça; sem contar o apoio da marinha e força  aérea no combate aos submarinos e proteção dos comboios no Atlântico Sul.

12)             Regresso da Força Expedicionária Brasileira
Após o regresso da FEB, e com a existência de um Governo Forte desde o Estado Novo, surgiu o Contraste, os brasileiros combateram e morreram na Europa em uma guerra contra as ditaduras nazista e fascista, e ao retorno, existia um governo sem Congresso e com forte repressão policial. Em agosto de 1945, após terem sido marcadas eleições para Presidente, para Nov do mesmo ano, os militares e políticos, forçaram Getúlio a se licenciar passando o governo para o Vice Presidente e vindo para São Borja, para a fazenda de seu irmão Protásio. (que era seu sócio desde 1918).
A partir daí iniciou o movimento político, para apoiar à eleição de seu candidato a presidência, Gen. Dutra, seu auxiliar desde o início do governo em 1932. Foi criado no RS o partido PSD, com apoio da Associação Rural (Atual Farsul) que elegeu Dutra e no ano seguinte Valter Jobim para o Governo do Estado. Nesta eleição Getúlio foi       eleito Senador por quatro estados.

13)          Eleição de GETÚLIO pelo PTB em 1950
Em 1950, candidatou-se a presidência da República, sendo eleito e assumido em 1951. Enfrentou uma grande oposição de militares ex-combatentes e de políticos principalmente o Governador do Rio de Janeiro – Carlos Lacerda da UDN. Realizou vários projetos como PETROBRAS, ELETROBRAS, CHESF e outros. Finalmente em 1954, face à grande pressão política, suicidou-se, sendo enterrado em SBO.