sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Fernando Vargas Souto - Artilharia turma de 1950

            Fernando Vargas Souto
Artilharia turma de 1950
a)    Chegada a Santiago – RS
Após um estagio de 24 dias no REsArt- Vila Militar, entramos em transito com destino a Santiago, passando alguns dias em Porto Alegre, na casa de meus pais, em função dos prazos previstos em lei, eu e mais dois aspirante de Cav. chegamos a Estação Ferroviária de  Santiago, cerca de meio dia de um sábado.
Estava para nos receber um major sub cmt do 4º RC (atual 9º Blog). Nós chegamos em uniforme de passeio, com mala e espada. Nos apresentamos ao major (em uniforme de instrução), que nos conduziu em Jeep sem capota, dirigido por ele. Recebeu-nos com muita amabilidade, nos levou ao refeitório dos oficiais, onde almoçamos. Informou-nos que cerca de 14h30min nos levaria na “republica” dos oficiais solteiros. E assim foi feito.
Na hora marcada entramos no Jeep, passamos pelo centro da cidade e fomos conduzidos a um bairro mais afastado com ruas sem calçamento. Em certo momento o Maj. parou o jeep em frente uma casa e chamou: “D. Fulana!”, apareceu uma senhora e ele disse: “estou aqui apresentando os novos aspirantes, seus futuros clientes”.
Nós fardados de mala e espada em punho, esboçamos uma “boa tarde” meio sem graça. Seguimos para mais duas “casas” onde foi repetida a apresentação (eram cabares).
Finalmente nos levou para a “república” dos oficiais solteiros. E foi assim a nossa apresentação em Santiago RS- Fevereiro de 1951.

b)    2º GACav 75- falta de oficiais
A OM, na época só possuía quatro oficiais combatentes.
Um Maj. no comando e três tenentes de turmas anteriores nas funções de sub cmt, S1, S2, S3 e S4. Ao chegarmos, embora com inicio de Estagio, eu e meu colega Roberto Mello (mais tarde engenheiro de armamento pelo IME), fomos contemplados com as demais funções, tais como: oficial de topografia (adj do S2), oficial de transmissões, CLF das duas Bias de Can, diretor da Escola Regimental, Oficial de Educação Física comandantes das três baterias. Logo houve a incorporação e a primeira instrução, com os recrutas ainda em trajes civis, e ministrada por um cabo em cada bateria, foi a utilização correta do WC e chuveiros com demonstração ao vivo. Pois a maioria dos recrutas era oriunda de campanha ou colônia e não conhecia WC ou chuveiros.

c)     Tiro de Artilharia
O Mello e eu, nas andanças pelas funções, constatamos que o grupo não realizava o tiro com os canhões há quatro anos, embora com sobra de munição. Lembro que cada peça possuía um livro para registro dos tiros, com data e carga utilizada e observações.
Falamos com o comandante e nos comprometemos a atuar em todos os setores para realizar o tiro na época prevista.
Iniciamos os trabalhos, primeiro pela topografia, manutenção dos GB e Teodolito, além das trenas e balizas (não havia ainda GPS); passamos depois para material de telefonia, todo ainda original
 KRUPP. Fomos depois para material de Art. regulando cada peça. Resolvemos que a CTir ficaria, inicialmente, no PO, pois como éramos apenas dois, um estava como CLF e outro na CTir e PO.
A partir dai toda a quinta feira, seguia uma Bia de Can, reforçada em pessoal pela outra Bia. Fizemos a primeira Escola de Fogo na Invernada REIÚNA a mais ou menos 18 km do quartel. A partir daí, toda a quinta-feira seguia uma Bia. O sucesso foi grande, pois até os oficiais do QG (1º DC), resolveram participar e assistir ao tiro.
É provável que tenhamos cometido alguns erros por falta de experiência, mas nos realizamos pelo sucesso da missão cumprida.

d)    A Grande Seca- 1952
Santiago ainda não possuía Hidráulica. Cada residência tinha um poço cavado no pateo. O quartel tinha um poço profundo e a água era retirada pela compressão utilizando um motor diesel. A OM possuía seis pipas tracionadas por muares, que em tempo difíceis, supriam as casas de oficiais e sargentos.
Em março de 1952, começou a diminuir a vazão do poço que tinha que atender ao pessoal e cerca de 580 cavalares e Muares. O novo comandante do quartel, resolveu levar os animais para onde existisse água. Conseguiu uma fazenda a 40 km do quartel na estrada Santiago/ São Luiz (4º Lageado – Pilão D’água).
Recebi a missão de levar por terra a cavalhada e uma equipe de mais ou menos vinte elementos (sargentos, cabos e soldados). O quartel só possuía um caminhão, tipo comercial, para conduzir diariamente o milho, alfafa e gêneros para o pessoal. Levamos também cochos de madeira para o milho. Adotamos o mesmo sistema do quartel, usando clarim para o pessoal e forragem, que era obedecido por todos (inclusive animais).
A missão durou 12 dias até que viesse a chuva e diminuísse a canícula.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Enterro do Ex Presidente Getúlio Vargas


          Enterro do Ex Presidente Getúlio Vargas

No dia 24 de agosto de 1954, estava em  São Borja no 1º grupo de Artilharia a cavalo 75 mm, no quartel atualmente ocupado pela 1º Companhia de Engenharia Mecanizada.
Cumprindo minhas tarefas rotineiras, ministrava uma instrução e segui com o curso de cabos para o campo. Cerca das 10h30min chegou uma viatura do quartel ¾ toneladas chamada “Maria Gorda” o motorista transmitiu-me o recado do Comando para retornar imediatamente ao quartel. Mandei encilhar os cavalos e nos tocamos ao trote para o aquartelamento. Ao chegar fui informado que o Presidente Getulio Dornelles Vargas, havia se suicidado cerca das 08h00min daquele dia e que seu enterro seria feito em São Borja.
O clima era de perplexidade e apreensão. como organizar a chegada de pessoas que viriam para a cidade? Garantir a segurança providenciar acomodações. esperava-se um grande numero de jornalistas, políticoscorreligionários, haveria muita gente se deslocando, para despedir-se de Getúlio. o momento era trágico e mobilizava todo o Brasil. 
Após o almoçarmos, tivemos uma reunião com o prefeito, juiz de direito, padre, comandante da guarnição e outras autoridades do Município, com o objetivo para planejar como seria feito o enterro e quais providencias as necessárias.
A segurança da guarnição entre a estação de Viação Férrea e o Rio Uruguai cabia ao grupo de Artilharia.
Coube a mim a segurança do campo de pouso, eu era 1º Tenente da  2ª bateria a quem cabia a segurança do campo de pouso. Na primeira hora da tarde reuni os meus sete Sargentos mais dois Cabos e fomos a cavalo para o local de pouso. Não existia nenhuma edificação. Munido de  Levei trena e medi a extensão (de grama) era 750 m de comprimento sentido Norte Sul e 25 m de largura.
Lembrei-me das minhas viagens ao Rio de Janeiro, do Aeroporto Santos Dummond onde notávamos funcionários que orientavam os estacionamentos dos aviões, utilizando bastões branco com lanterna na ponta.
Procurei água e não encontrei por perto, determinei a um dos  sargento que , voltasse ao quartel trouxesse na pipa tracionada por mulas e que também trouxesse alimentação para o pessoal do jantar, pedi que arrecadasse todos os lampiões a querosene pois imaginei uma  possível chegada do aviões após escurecer como de fato ocorreu. Demarcamos a cabeceira e o fim da pista e alguns pontos dos 750 metros. Organizamos as áreas de estacionamento da seguinte forma:  na parte Norte para os aviões grandes DC3 usados na segunda grande guerra, no mesmo prolongamento denotamos estacionamentos para aviões médios de dois motores e na parte esquerda estacionamento para pequenos (teco-teco). Solicitei, que a carpintaria do quartel confeccionasse bastões de madeiras pintados de cal. Cerca das 19h30min chegou um avião pequeno demarcamos como planejado a pista o campo de pouso não possuía Biruta, aquele cone de pano que indica a direção do vento, fiz sinal com uma lanterna para que ele pousasse. 
Levei do quartel um Avam Trem que é uma viatura onde se leva material (picaretas, pás, e um cofre de munição). Pensava oferecer este Avam Trem para levar o corpo até a cidade, na primeira noite pernoitaram no campo 35 aviões de diferentes tamanhos  alguns só largaram passageiros e seguiram, cerca de 16h00min do dia 25 de agosto chegou o avião da força aérea com o corpo do Presidente. Falei com o piloto e informei a ele que estávamos fazendo a segurança do campo de pouso e tínhamos uma carroça de artilharia onde o corpo podia ser transportado.
Como a família estava desgostosa com os militares não aceitaram nem eu falei que era sobrinho neto do presidente, o corpo foi levado nos ombros do povo até a prefeitura mais ou menos 8 quilômetros, com revezamento entre o povo.
A noite fui a cavalo à prefeitura fardado e notei que me hostilizavam. Dirigi-me a conhecidos e informei ser sobrinho neto do presidente e que estava ali nesta situação. No dia seguinte cerca de meio dia o corpo foi levado ainda nos ombros do povo para o cemitério Jardim da Paz onde foi enterrado. 

Ao Museu Getulio Vargas- São Borja-RS

                       
                      
Ao Museu Getulio Vargas- São Borja-RS

Estou oferecendo, para integrar o acervo do Museu Getulio Vargas, a espada que pertenceu ao meu bisavô, General Manoel do Nascimento Vargas.
Esta espada ele adquiriu na campanha do Paraguai, quando a 08 de maio de 1866, foi promovido a Alferes.
Usou-a até o termino da guerra, quando já capitão retornou a São Borja cujo regimento foi dissolvido em agosto de 1870.
Posteriormente quando da Revolução Federalista como Ten. Cel. da Guarda Nacional, organizou a 5º Brigada nas nascentes do Rio Butui, seguiu com a ela até a Serra de Caverá tomando parte, no combate de Inhandui (Alegrete), portando esta espada, em 1892.
Em 1893 o presidente Marechal Floriano Peixoto, o agraciou com as honras de Coronel de Exercito Brasileiro por sua atuação na Revolução Federalista e Guerra do Paraguai.
Em 1895 o Presidente Prudente de Moraes, concedeu ao Cel. Honorário do Exercito, as honras de General da Brigada do Exercito, pela dedicação e Bravura em defesa da Republica.

São Borja, 03 de setembro de 2012.

Fernando Vargas Souto

Carta de Doação

     CARTA DE DOAÇÃO.

Regimento dos Museus- Decreto nº 12.744 de 14 /09/10.

Ilmo. Sr.
Julio Corrente
Coordenador do Museu do Contestado
Caçador – Sta Catarina.


Eu, Cel. Fernando Vargas Souto, R1 residente  na Rua Olinto Arami Silva 451 , na cidade de São Borja –RS, venho por meio desta doar os seguintes objetos;

1. Designação dos objetos:
a) Uma espada com punho e bainha de Prata, com detalhes em Ouro, com dedicatória gravada por admiradores e amigos do Cel. Carlos Frederico de Mesquita, meu bisavô, que faleceu em 1933 em, Em Porto Alegre.

b) Uma espada com bainha, em parte de couro, recebida do Comando do Exercito em 1911, quando foi promovido a General de Brigada. Possui uma placa de prata com a gravação “ Marechal Carlos Frederico de Mesquita”.

c) Uma foto, tirada possivelmente quando Major e que servia no 30º Btl de Infantaria.

d) A FÉ DE OFICIO, compilada por tradição oral (familiar) e por um artigo do professor ANTÕNIO DA ROCHA ALMEIDA, publicada no jornal de Porto Alegre- O CORREIO DO POVO, possivelmente na década de 1950.

2. Nome e Morada da Instituição beneficiaria da doação:
MUSEU DO CONTESTADO – Caçador Sta Catarina.

3. Condições da Doação:
A doação foi realizada, inicialmente por troca de e-mail e posteriormente envio de Sedex em 8/10/2012.
A finalidade é preservar o vulto e manter a memória do Marechal Mesquita que além de várias comissões militares, comandou uma expedição que atuou no vale do Rio do Peixe região de Caçador, na Guerra do Contestado.
Estas espadas são doadas por Fernando Vargas Souto, bisneto do Marechal e que permite a figuração de seu nome nas obras quando expostas, não manifestando nada em contrario.
4. Condições de aceitação:
A condição proposta é que o objeto seja original e não cópia. Portanto os objetos acima foram criteriosamente analisados e pertenceram à família desde o falecimento do seu titular em1933 em POA.
Procedência:
  Já descrito no documento acima.
                                                           São Borja, 8 de outubro de 2012

                                                             FERNANDO VARGAS SOUTO.

MANOEL DO NASCIMENTO VARGAS.


       MANOEL DO NASCIMENTO VARGAS.

Guerra do Paraguai.


Nascido em Passo Fundo dia 25 de novembro de 1844, ainda jovem residiu com seus pais na região de Santiago (fazenda do Cerro). Trabalhava como Bolicheiro em uma vila (atual Unistalda) Com o passar do tempo, com a criação por D. Pedro II dos corpos de Voluntários da Pátria, resolveu pegar dois cavalos e veio a SBO apresentar-se no 28º Corpo de Cav. Provisório da Guarda Nacional.
Em 1865 incorporou como soldado nº 45 da Iª CIA, como sabia ler e escrever passou a Cabo.
No dia 25 de junho do mesmo ano tomou parte no Combate do Butui contra os paraguaios (Itaqui) A 1º de julho foi promovido Furriel (por bravura) permanecendo na mesma CIA.
Em 18 de set. participou do cerco e rendição das forças paraguaias em Uruguaiana. Regressando a SBO foi promovido a 2ºsgto para a 6ª CIA no mesmo cargo.
Em 17 de abril de 1866 transpôs o rio Uruguai para o teatro de Operações no Paraguai. Em 1866 a 8 de maio foi promovido Alferes (em comissão) e classificado na 4,ª CIA.
No dia 20 de setembro de 1867 transpôs o Rio Paraná (Passo da Pátria). No dia 24 de maio participou da batalha Tuiuty, e no dia 1º de Jun. combate de Sanga Funda,(campos de São Salomão). Em 3 de outubro parte para o combate de São Solano, onde recebeu dois ferimentos de lança. Em 1867 no final de outubro ainda convalescente tomou parte no 2º combate de São Solano.
No dia 15 de novembro de1868 passou para o 1º corpo do EX.e no dia 19 de fev. participou do Combate de Estabelecimento. Assistiu o reconhecimento de Humaitá e também tomou parte no Combate de Pequirí e  no Combate de  Imbuí. Neste ano por morte do Titular do Regimento, assumiu a função de Inspetor do Quartel Mestre e posteriormente ajudante do Corpo. Fez a marcha de Flanco pelo Chaco e tomou parte no combate de Itororó, e também participou da Batalha de Avaí (contra Cabellero).
Participou da Batalha de LomasValentinas , onde recebeu a Medalha de Mérito Militar.
Em 1869 fez manobras em Luque , Piraju e Juqueri, tomou parte no reconhecimento de Cerro Leon.Em março foi promovido a Tenente ajudante.Também tomou parte no Combate de Campo Grande. No mesmo ano fez parte da expedição de Mandu-Verá e seguiram para Rio Honda. Em setembro segui para São Joaquin, Vila do Rosário e Conceição. Em dez. houve o Combate na Estância do Pai Passo. Em 1870 fev. seguiu para Bela
Vista, a margem esquerda do Rio Apa e o transpôs entrando na Província do Mato Grosso. Tomou parte no Combate de Cerro Corá onde faleceu Solano Lopes. Em março deste ano foi promovido Cap. E classificado para 5ªCIA. Regressa ao Brasil em junho, atravessando o Rio Uruguai, acampando em SOB, fiscalizando (sub. CMT) até 25 de agosto quando o Corpo foi dissolvido. Após a sua baixa fixou residência no Iguariaça (Mun. de Santiago) dedicando-se a sua família e a Pecuária.
                
Revolução Federalista.

Em 1891 no dia 13 de set. houve o golpe de Estado, quando foi deposto o Presidente da Província Julio de Castilho, advogado e de formação positivista. Como republicano Manoel vê-se forçado a emigrar junto com companheiros para Monte Caseiros- Argentina, com Julio de Castilhos organizando a contra revolução apoiados pelo Presidente Mal. Floriano Peixoto.
Em 1892 os simpatizantes reuniram-se em SOB onde organizaram a 5ªBDA nas cabeceiras do Rio Butui, ao mesmo tempo era organizada a 4ª BDA em São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo, sob o comando de Pinheiro Machado. Foi constituída a então Divisão do Norte e marcharam para a serra do Caverá onde travou-se o Combate do Inhandui (Alegrete).
Em 1893 Foi agraciado com honras de Coronel do Exercito Brasileiro pelos serviços prestados na Guerra do Paraguai e Revolução Federalista.
Em 1895 pelo decreto assinado pelo Presidente Prudente de Moraes e do Ministro da Guerra foi concedido ao Cel. Honorário do Ex. Manoel do Nascimento Vargas as honras de Gen. De Brigada pelos serviços e a sua dedicação e bravura em Defesa da Republica e do Rio Grande do Sul.
Em 29 de outubro de 1944, faleceu no Rio de Janeiro sendo sepultado em São Borja.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

RIVERA INVADE O TERRITÓRIO DAS MISSÕES

            RIVERA INVADE O TERRITÓRIO DAS MISSÕES

Don Fructuoso Rivera-, desertor do Exército Imperial, rompido com Lavalleja, declarado traidor pelo governo platino, que lhe cassara a patente de Brigadeiro e o condenara à morte- conseguira  a duras penas fugir de Buenos Aires e buscar refúgio na província de Santa Fé, colocando-se sob a proteção do governador Don Estanislau Lopez. Isto em fins de 1826.
Instalada a anarquia política que se seguiu à queda do presidente Rivardávia, Don Fructuoso, ofereceu seus serviços ao presidente provisório e apresentou um plano de entrar pelas Missões e atacar os imperiais pela retaguarda, ocupando Rio Pardo e Porto Alegre
O presidente provisório, esquivou-se de decidir. Seu sucessor, governador de Buenos Aires, Manoel Dorriego, que concordava com qualquer coisa que servisse para acelerar o término do conflito com o Brasil, aceitou discutir  o assunto.
Riveira assinou em 27 de Out de 1827, em nome das províncias de Entre Rios e Santa Fé um tratado com Buenos Aires, com o objetivo de levantar forças  militares para ocupar  os povos das Missões Orientais. Deixou Santa Fé e instalou-se nas margens do Uruguai. Em Março de 1828, Riveira, já na Banda Oriental recrutava forças. Em 21 Abril de 1828, a frente de 140 homens iniciou a invasão do Rio Grande, em muito pouco tempo esse efetivo já ultrapassava um milhar incondicionalmente apoiado pela população civil. Com a destruição das reduções jesuíticas, e instalação de uma administração laica, os missioneiros tentaram retornar à vida selvagem. Os padres haviam inoculado o germe civilizatório e eles não se adaptaram. Tinham instintiva idolatria pelos caudilhos. Não havia grandes diferenças entre o que aconteceu  nas Missões  em 1801, com Borges do Canto; em 1815 com Artigas ; e em 1828 com Rivera.
INVASÃO- TRAVESSIA DO IBICUÍ
A 21 de Abril de 1828 uma tropa com 80 homens ao comando do capitão Felipe Caballero, chegou ao passo do Ibicuí e caiu de surpresa sobre a guarda, matando o comandante e 19 praças e aprisionando 23 inimigos. O tenente morto chamava-se Mariano Pinto de Oliveira. O passo do rio Ibicuí passou a ser chamado de MARIANO PINTO. A tropa de Riveira dividiu-se em três frações. A 1ª Divisão sob o cmdo de Caballero foi lançada na direção de São Francisco; a 2ª Divisão comandada por seu irmão, major Barnabé, foi dirigida para São Borja (capital das Missões), e a 3ª Divisão, sob seu cmdo, marchou para a serra de São Martinho. Riveira se adonou rapidamente de toda a área missioneira- sempre vulnerável e sempre descuidada. O 25° RC havia se deslocado para Jaguarão. O 24°RC, formado inteiramente por índios, desertou inteiro com a aproximação dos orientais, deixando sòsinho seu cmt Ten Cel José Fontoura Palmeiro. As tropas milicianas que não engrossaram as forças de Riveira, debandaram em impressionante desordem. O Cmt das Missões, coronel Joaquim Antonio de Alencastre, ficou abandonado  com apenas um sargento e seis soldados.Doente, foi obrigado a fugir para Cruz Alta, sempre perseguido por Riveira. Nesta perseguição a bagagem e os arquivos do comando foram aprisionados na região de Santiago (Eram duas carretas). No final de Abril o alferes  José Silveira com toda sua guarda de 24 homens,  o Ten Pavão  com 35 oldados e o capitão Boaventura  Soares da Silva com com seu esquadrão de 122 homens, entregaram-se aos orientais. Uma espécie de locura se apoderou dos oficiais de prestígio e que comandavam guardas e destacamentos, fizeram causa comum ao invasor. Até a guarnição de fluvial de São Borja, comandada pelo ten Justo Yegros- 75 marujos teve que levantar ferros e escapar, pois a indiada tentou saquear suas naves e canoas.
Enquanto ocorria a invasão, os representantes platinos e brasileiros se reuniam no Rio de Janeiro, sob a orientação do embaixador Britânico para acertar o acordo de paz que motivara no ano anterior a Batalha do Passo do Rosário entre o Visconde de Barbacena e o General Alvear (Argentino).
Finalmente em 27 de Ago 1828 foi assinada a Convenção preliminar de Paz, ratificada pelo Brasil  em 30 de Ago , e pela Argentina  a 29 de Set do mesmo ano.
A notícia da Convenção Preliminar de Paz, chegou a Don Frutuoso Riveira, senhor das Missões, em 17 Set 1828, que ficou furioso com o fracasso de sua invasão. Alem de todo o gado disponível e de cavalares, Riveira também levou milhares de índios missioneiros, que eram de valor comercial inferior ao das vacas. Também com toda a calma saqueou todas as vilas ,levando oitenta carretas com o que existia de valor nas sete igrejas e nos depósitos de gêneros. Para os Argentinos e Orientais se tornou um herói, tanto que a cidade uruguaia junto a Livramento tomou o nome de Riveira. No dia 30 Dez 1828, uma resolução oficial do governo uruguaio o definiu como “digno e altamente benemérito general, e restituiu sem mancha  sua reputação e honras”
Após a retirada de Riveira, a administração Imperial, retornou ao território, encabeçada pelo coronel Olivério Ortiz, nomeado comandante da Fronteira .


          Bibliografia
A SAGA NO PRATA – Juvencio Saldanha Lemos –Editora Juliani
SÃO BORJA – MONOGRAFIA HOSTÓRICA E DE COSTUMES – Aparicio Silva Rillo – Coleção tricentenário
HISTÓRIA MILITAR DO BRASIL –Nelson Werneck Sodré –Editora expressão Popular      

Invasão Da Area da 1ªBDA CMEC.

              Invasão Da Area da 1ªBDA CMEC.

1)- Época 1816
2)- Inimigo.

Jóse de Artigas desejava o restabelecimento Prov. Unida do Prata
E  queria reunir as Províncias de Sta Fé, Corrientes, Entre Rios , Banda Oriental e Missiones,os Sete Povos e mais uma área até Quarai.
Para isto incumbiu seu filho de criação Cap. Andre Guacari, conhecido como Andresito Artigas; nascido em São Borja , filho de mãe charrua e educado pelos jesuítas. Andresito veio para preparar uma tropa de índios guaranis, (mais de 2000 homens. Este exercito  estava concentrado na costa do Rio Uruguai afim de retomar as Missões Portuguesas perdidas em 1801.

3)- Comando Português/ Brasileiro.

Comandava as Missões o Brigadeiro Francisco Chagas Santos nascido no Rio de Janeiro e formado no Colégio dos Nobres em Lisboa. Era engenheiro e matemático Como major trabalhou na demarcação da fronteira Sul. Inicialmente estava em São Luis Gonzaga e depois transferido para São Borja.
Seu efetivo era: 120 homens da cavalaria Portuguesa,
                        80 indios dos Lanceiros das Missões.  (Cavalaria)
Infantaria          Uma CIA de  granadeiros do Regimento de Sta Catarina+-
                            Com 85 baionetas
4)- Operações: 

Em 21 de setembro de 1816, Andresito atravessou o Rio Uruguai por Itaqui, após vencer pequenas resistências chegou a São Borja, distando 5 km do Rio Uruguai. Estabeleceu o cerco da vila
Chagas além dos militares tinha que suprir mais de 2000 pessoas O Cerco durou 13 dias, onde os cercados passaram fome e sede.
No dia 3 de outubro de1816 ao amanhecer ouviu -se um grande barulho nas linhas de Andresito.
A guarnição prepara-se para repelir novo ataque quando o  Ten. Lanceiros (Antonio Eripe) que estava como observador na torre da Igreja , avistou uma grande e forte cavalaria atravessando o Banhado Grande.
 Era o Cel. José de Abreu (mais tarde Barão de Cerro Largo) que vinha de Alegrete  vencendo uma etapa de 50 léguas, para prestar socorro a Chagas.Fora avisado do Cerco, através de um miliciano que tinha conseguido iludir as sentinelas do inimigo.
Após um violento combate, juntamente com a infantaria de Santa Catarina, conseguiu expulsar Andresito para a margem direita do Uruguai.
5) Outros encontros e prisão de Andresito.
Cumprindo ordens superiores, o Brigadeiro Chagas Santos, atravessou o rio e saiu ao encalço de Andresito e seus guaranis. Teve combates  em Apostoles, São Carlos, São Nicolau (já no Rio Grande), e finalmente conseguiu prendê-lo em Itacurubi. Levado para o Rio de Janeiro, ficou preso na fortaleza de Santa Cruz, onde mais tarde veio a falecer.
6) Monumento a Andresito.
Na entrada da cidade Argentina de Santo Tomé, existe uma estátua de
Andresito (No trevo, apontando para a cidade)