quinta-feira, 25 de abril de 2013

TORPEDEAMENTO DE NAVIOS BRASILEIROS NA 2ª GUERRA MUNDIAL


TORPEDEAMENTO DE NAVIOS BRASILEIROS NA 2ª GUERRA MUNDIAL

Bibliografia: Jornalista ROBERTO SANDER- Livro: O Brasil na Mira de Hitler –Editora OBJETIVA - Rio de Janeiro.
l) Em Setembro de 1939, o Exército Alemão, iniciou a 2ª Grande Guerra, com a invasão da Polônia.
2) A França e a Inglaterra que tinham vencido a lª Grande Guerra em 1918, e assinado tratados, iniciaram tratativas políticas para conter o ímpeto de Hitler, mas sem resultados.
3) Em seguida , após a derrota da Polônia, a Alemanha virou-se para Leste e atacou a França, que foi rapidamente derrotada e pediu Armistício.
4) A Gran Bretanha, que a dois séculos vivia apoiada em suprimentos pelas ex-colônias, Canadá, India, Austrália, Singapura e outras, que supriam  inteiramente dependentes do transporte marítimo, começou a enfrentar o perigo da marinha alemã. Necessitava suprimentos Classe I (alimentos), Classe III (petróleo),  e mais um sem número de itens, para garantir a vida da população.
5) A partir deste “gargalo”, a Alemanha  que já tinha uma grande frota de submarinos (cerca de 300), iniciou o ataque às principais rotas de suprimento, que vinham de todo o mundo. Durante toda a Guerra os Aliados tiveram 2603 navios mercantes  afundados e 175 aviões abatidos só na guerra  no mar. Foram perdidas 13,5 milhões de toneladas  e 40 mil marinheiros mortos.
6) Após a rendição da França, o então presidente Marechal PÉTAIN, autorizou aos nazistas a ocupação do Norte e Leste da África com todos os portos e bases aéreas. De DAKAR (no Senegal) a NATAL no Brasil, são 1600 milhas o que possibilitaria (com os aviões da época) um deslocamento em 8 horas de um ponto ao outro.
7) A espionagem inglesa, detectou Planos Alemães, de uma cabeça de ponte no NE brasileiro, tendo como objetivo final a conquista do Canal do Panamá.
8) Face a estes problemas o Embaixador Americano no Brasil, JEFFERSON CAFFERY, enviou carta ao Presidente VARGAS no seguinte teor (datada de FEV de 1942): É desnecessário lembrar  à VEx a crescente importância da travessia rápida de um grande número de nossos aviões para a frente de batalha da África e do Oriente, onde são necessitados com mais urgência. De fato, a chegada rápida desses aviões naquele setor, tem influência direta nas operações militares, bem como no resultado da guerra. Resultado que afeta diretamente o país de VEx assim como os EEUU. O Presidente me pediu para expor o problema com toda a franqueza e confia que VEx não hesitará em compreender a cooperação solicitada.
9) Em virtude da resposta positiva do governo brasileiro, o Governo Americano  incumbiu a empresa aérea PANAIR, de construir bases aéreas nas cidades de MACAPÁ,BELEM, SÃO LUIZ, FORTALEZA, NATAL, RECIFE  e FERNANDO DE NORONHA. Em l943, o aeroporto de Natal tornou-se o mais movimentado do Mundo, com cerca de 600 operações de pouso e decolagem por dia.
10) III REUNIÃO DE CONSULTAS DOS MINISTROS DAS RELAÇÕES EXTERIORES DAS REPÚBLICAS AMERICANAS -Conferência dos Chanceleres.Realizada dia 15 de Janeiro de 1942, no Palácio Tiradentes, na cidade do Rio de Janeiro, então capital do Brasil. Era presidida pelo Ministro das Relações Exteriores DR OSWALDO ARANHA, contava com 21 representantes dos países Americanos. Tal reunião ocorreu um mês após o ataque Japonês a Pearl Harbor no Havai, e conseqüente entrada dos Estados Unidos na II Grande Guerra. Na época foi preso no Rio de Janeiro um agente alemão desembarcado em um submarino, que confessou ser agente da Gestapo, e que tinha sido enviado ao Brasil para assassinar Oswaldo Aranha em virtude dos problemas que sua atuação estava causando ao REICH, daí o pavor alemão. Já havia notícias, levantadas pela inteligência Britânica, de possível ação contra o NE brasileiro e ameaça ao Panamá.
11) Como resultado da Reunião, 19 países concordaram com o apoio aos ESTADOS UNIDOS.  Somente dois países não concordaram: ARGENTINA e CHILE.
12) Dia 28 de Janeiro o Brasil rompe as relações com a Alemanha e Itália.
13) Na época o Brasil estava longe de poder defender seu litoral. Conforme relatório do Ministro da Guerra, o país não dispunha mais que 100 canhões e 50 Carros de combate da I Guerra Mundial, a maior parte sem munições. A frota naval de nossa Esquadra era antiga e sem equipamentos modernos. A Força Aérea contava com 27 aviões. Por esses motivos o Brasil solicitou ajuda militar aos EEUU. Era crescente o receio de que houvesse um colapso nos exércitos Aliados na África do Norte o que facilitaria a investida do EIXO na América do Sul.
14) Para atender parte da segurança no NE os americanos deslocaram a IV Frota, comandada pelo Almirante Ingrans, que ficou instalada no porto de Recife, e dentro do possível foram entregues ao Brasil alguns aviões  e quatro caças submarinos.
15) A reação nazista não demorou a aparecer e a conseqüente retaliação.Após 18 dias do rompimento das relações diplomáticas, a 16 Fev de 1942, o navio BUARQUE do Loyde brasileiro, foi posto a pique pelo UBoat 432, em viagem para Nova York (em pleno carnaval)
16) Também influiu para as reações do REICH, uma vasta rede de espionagem que atuava no Brasil desde a década de trinta, com ramificações em Buenos Aires,  Santiago do Chile e Equador. Esta rede foi desmontada com a prisão de quatro chefes que atuavam orientados pela Embaixada Alemã e usando as comunicações rádio e os aviões da LATI, empresa de aviação italiana. Com o auxilio de contra espionagem Britânica, foram cancelados os vôos da LATI, presos os quatro principais chefes e mais 28 agentes.
17) A espionagem informava ao REICH o movimento de navios brasileiros e aliados que passavam pelos portos do Rio de Janeiro, Salvador  Recife e Natal. Tipo de navio, carga, abastecimento e se eram armados com canhões defensivos. Tinhamos também espiões no Mar, constituídos por navios mercantes Espanhois e Argentinos que diversas vezes foram detetados seguindo comboios e se comunicando com submarinos. No livro citado neste trabalho aparecem nomeados nove navios argentinos que atuavam nas informações.
18) Face o aumento  constante de torpedeamentos, a esquadra brasileira começou a atuar com a IV Frota Americana, e foram constituídos comboios geralmente com 50 navios mercantes agrupados em 10 colunas e espaçados de 900 metros. Em torno do retângulo atuavam os navios de escolta e aviões na cobertura anti submarina.
19) Continuavam os torpedeamentos e em Agosto de 1942, em apenas 12 horas foram afundados cinco navios , causando a morte de 551 brasileiros. Tais fatos geraram uma revolta da população contra os alemães e italianos em todo o País o que levou o governo a 22 de Agosto de 1942, a declarar Guerra à Alemanha e Itália.
20) O último navio a ser afundado  foi o Vital de Oliveira a 19 de Julho de 1944. Tivemos um total de perdas de 34 navios mercantes com 1081 mortos, bem mais que o número de “pracinhas’ PERDIDOS na Itália que foi de 454. Doze submarinos foram afundados na costa brasileira, sendo 11 alemães e um italiano. A maioria das perdas ocorreu em 1942, total 24.  
21) A solicitação de armamento feita pelo Brasil em 1942, surtiu efeitos por parte dos americanos, que durante os primeiros anos de Guerra, nos transferiram embarcações usadas: 16 caças submarinos e 8 contra torpedeiros todos equipados com sonar, radar e bombas de profundidade. Também a FAB recebeu 80 aeronaves de combate. O  Brasil comprou dos EEUU, 137 canhões de artilharia de costa, que depois de recuperados por conta do Ex brasileiro, guarneceram nossas diversas fortalezas e portos que estavam sem proteção. Também recebemos o armamento e viaturas que equiparam a Força Expedicionária. 
,                                    Abril de 2013                  FV Souto









  

terça-feira, 26 de março de 2013

GUERRA CONTRA ROSAS 1851/1852


GUERRA CONTRA ROSAS 1851/1852
Fonte de consulta: História da 3ª Região Militar - Cel Claudio Moreira Bento
Em 21 Nov de 1851, ficou estabelecido um Tratado entre os aliados brasileiros, orientais (uruguaios), e argentinos contra ROSAS e não contra a Argentina. URQUIZA, comandaria o Exercito de Invasão destinado a combater ROSAS. CAXIAS permaneceu no Uruguai, especificamente em Colônia do Sacramento, com o grosso do Exército, em condições de atuar, caso necessário.
O Exército Brasileiro contribuiu com uma Divisão ao comando do Brig MANOEL MARQUES DE SOUZA- futuro Barão de Porto Alegre. A Armada brasileira cooperaria no transporte da tropa e na passagem de Toneleiros. A transposição das forças, seria na ponta do Diamante. A Cavalaria Argentina marchou por terra até a concentração. A Infantaria e Artilharia argentina e uruguaia, foram transportadas pela Esquadra brasileira.
A Divisão brasileira embarcou em Colônia e desembarcou em Diamante, em 20 Dez de 1851. A transposição do rio Paraná, em Diamante teve início a 23 de Dez, com a Cav de Urquiza atravessando a nado (mil metros), teve um número elevado de cavalos e soldados afogados.
Em 8 de Jan de 1852, todo o Exército havia transposto o rio e estava concentrado em Espinilho.
No dia 2 de Fev 1852, teve lugar a vitoriosa batalha de MOROM ou de Monte Caseiros, na qual a Div Brasileira teve grande destaque. A tropa tinha a seguinte organização:
Infantaria, duas Bdas, 5°,6°,7°,8°, 11° e 13° batalhões
Cavalaria 2° RC (a comando de Osório)
Artilharia l° Reg Art
Total 4020 homens. Um grupo de 100 atiradores de escol, alemães, que foram espalhados pelas unidades de Inf. brasileiras, que eram armados de moderníssimos fuzis DRAYSE de agulha. Eram integrantes da Legião BRUMMER, contratada na Prussia pelo Brasil, composta de um Batalhão de Infantaria, uma Bateria de Artilharia e duas companhias de Pontoneiros equipadas com equipagem BIRAGO.
Após a Batalha, ROSAS refugiou-se em um navio da Armada Britânica e foi para Londres. A Divisão brasileira desfilou pelas ruas de Buenos Aires e após retornou a Colônia  junto ao Exército de CAXIAS

sábado, 9 de março de 2013

A ORIGEM DO CAVALO “ CRIOLO” E SEU DESENVOLVIMENTO NOPRATA.


        A ORIGEM DO CAVALO “ CRIOLO” E SEU DESENVOLVIMENTO NOPRATA.
Fontes de Consulta:
A SAGA NOPRATA – Juvencio Saldanha Lemos- Editora SULIANI – A letra e Vida
RAZA CRIOLLA – Emilio Solanet- 1938 – Los Tallares Graficos dela S. A. – Casa Jacobo Peuser Ltda – Buenos Aires.
A finalidade deste trabalho é relatar a origem dos Equinos, trazidos pela Espanha para a América do Sul, nos primórdios do século  XVI.
1)    ORIGENS DOS EQUINOS NA PENÍNSULA IBÉRICA.
Ainda no período Medieval, houve uma disputa entre os Visigodos. De um lado AGILA e de outro RODRIGO, pelo trono de “Las Espanas”. Após vários combates, venceu Rodrigo No entanto era Chefe de CEUTA (no Marrocos) um tal Julião, partidário do derrotado Agila  que convidou os árabes do Norte da Africa a passar para a Espanha. Estes, rapidamente cruzaram o estreito de Gibraltar e em dois anos derrotaram Rodrigo e se apossaram da maior parte do Pais. Eram chefiados por Tariq  Ibn Iyad que interferiu  naquela questão européia cristã. Fundaram a capital em CORDOBA.
Tal domínio durou quase oito séculos onde foram fundadas diversas cidades. A Espanha era constituída por diversos reinos e que só terminou quando a União de Castela e Aragão expulsou os maometanos no século XII.
Durante este período o Imperio Otomano, que dominava da Turquia ao Marrocos, introduziu cavalos das raças Árabe e Bérbere, que constituíram o “Casco” de eqüinos na Espanha, e depois na América.
2)    TRATADO DE TORDESILHAS
No final do século XV (1494), os reis católicos, obtiveram do PAPA o tratado assinado na cidade de Tordesilhas, que dividia o mundo ainda não conhecido em duas partes separadas por um Meridiano situado a 370 léguas a oeste das Ilhas de Cabo Verde. O que fosse descoberto a oeste deste meridiano era Espanhol, e o que restasse a Leste (inclusive a África), pertencia aos portugueses. Embora tal demarcação fosse imprecisa, pelo atraso dos instrumentos da época, estipulava:
a) Que ao norte da América do Sul, América Central e atual região do México, era da Espanha
b) Que a região Central do continente, cabia a Portugal
c) Que a parte Sul da América do Sul, novamente a Espanha
3)    VINDA DOS IBÉRICOS
A parte norte, após a descoberta de Colombo, não houve dificuldades. Os AZTECAS foram prontamente conquistados.Consta que havia previsões religiosas de que no futuro seriam invadidos por homens vestidos de PRATA (eram as armaduras) Os invasores foram tratados como deuses e venerados. O povo ficou muito impressionado com os cavalos que eles não conheciam.
Também no PERU, os INCAS, os receberam como deuses e entregaram todo o OURO. Os cavalos também eram desconhecidos, e causaram grande Espanto.
Na parte Sul- região do rio da Prata, os habitantes se mostram hostis e ferozes. Foi exatamente o contrario dos Aztecas e dos Incas. Como os índios viviam da caça, desenvolveram instrumentos como as Boleadeiras e lanças para abater os cervos e emas e como armas de guerra. No combate aos espanhóis, primeiro derrubavam os inimigos e depois os massacravam. Os cavalos apreendidos nos combates eram utilizados pelos índios e se reproduziam. As raças de índios eram os CHARRUAS, mais numerosos e ferozes; outras raças também hostis eram os MINUANOS, YARÒS e GUENOAS. Na atual Republica Oriental do Uruguai, expedições foram enviadas e tiveram cerca de 500 perdas, o que levou o governo a solicitar o envio de padres para tentar pelo, evangélio, conquistar os gentios.Vários padres foram massacrados. Tais reações ocorreram com Juan Dias de Solis em 1508, que subiu o Paraná e fundou o fortim de Sanctos Espirito. Sebastião Caboto encontrou índios com artesanatos de prata, que foram apreendidos o que alterou o nome de Rio de Solis, para Rio de Prata. Em 1536, veio da Espanha uma frota de 10 navios, mais de 1000 soldados, marinheiros e famílias chefiada por Pedro Mendonça, que fundou Buenos Aires. Sofreu ataques dos índios que nos primeiros combates massacraram 150 pessoas, destruíram o forte e se adonaram dos cavalos.
As ótimas pastagens da Provincia de Buenos Aires, contribuíram para a multiplicação das cavalhadas, que segundo viajantes, tempos depois, tinham imenso volume com mais de 1000 animais selvagens.Os campos no sul da província, tem uma profundidade de terra de 12 metros o que permite que as plantações de Alfafa sejam perenes. Todas estas condições no decorrer de quatro séculos desenvolveram animais com caracteres próprios, de valentia, elegância e rusticidade.
No final do século XIX e princípios de XX, os platinos que inicialmente fundaram cidades às margens dos rios Paraná, Uruguai e seus afluentes, resolveram conquistar a parte Sul situada ao sul da serra de Tandil, mas eram muito hostilizados pelos índios sempre a cavalo. Seguidas incursões do Exercito Argentino, descobriram os criatórios dos eqüinos que após 400 anos haviam sobrevivido das antigas raças Arabes e Bérberes, situadas na pré cordilheira dos Andes com pastagens muito nutritivas e com mais de metro de altura.
4)    EL HARAS “EL CARDAL” dos irmãos PEDRO E EMILIO SOLANET na província de Buenos Aires.
Resolveram localizar os criatórios e os acharam no Vale do Rio SANGUER, na província de CHUBUT (ao pé da cordilheira) em 1911. Animais de alto gabarito, adaptados ao clima e às pastagens da região. Procuraram o cacique da raça IEHUELCHE, chamado Dom Juan Schcqmatr, com criatório excelente, todos com a marca Coracion. Fizeram negócios, pagos em libras esterlinas, e levaram para Buenos Aires diversos lotes de animais selecionados para o haras El Cardal. Durante vinte anos Solanet, selecinou e apurou animais, exportando matrizes e garanhões para o Chile, Uruguai, Brasil e Paraguai. Esta raça selecionada e apurada por quatro séculos recebeu o nome de RAZA CRIOLLA.
5)    RAID BUENOS AIRES – NOVA YORK (1925/1928)
Nos anos de 1925/1928, dois cavalos criolos do haras El Cardal, participaram de um Raid Buenos Aires a Nova York. Foram guiados pelo professor AIMÉ TSCHIFFELY, conquistando em sua caminhada por 13 paizes, atingiram um Record de altitude de 5900 metros no passo de “EL CONDOR” entre Potosi e Chaliapata na Bolivia. Cobriram a distancia de 21.600 km , percorridos em 504 jornadas  o que deu uma média de 42,6 km por dia.  Os dois animais chamodos de Gato e Mancha retornaram de navio.
Fernando Vargas Souto


 

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Fernando Vargas Souto - Artilharia turma de 1950

            Fernando Vargas Souto
Artilharia turma de 1950
a)    Chegada a Santiago – RS
Após um estagio de 24 dias no REsArt- Vila Militar, entramos em transito com destino a Santiago, passando alguns dias em Porto Alegre, na casa de meus pais, em função dos prazos previstos em lei, eu e mais dois aspirante de Cav. chegamos a Estação Ferroviária de  Santiago, cerca de meio dia de um sábado.
Estava para nos receber um major sub cmt do 4º RC (atual 9º Blog). Nós chegamos em uniforme de passeio, com mala e espada. Nos apresentamos ao major (em uniforme de instrução), que nos conduziu em Jeep sem capota, dirigido por ele. Recebeu-nos com muita amabilidade, nos levou ao refeitório dos oficiais, onde almoçamos. Informou-nos que cerca de 14h30min nos levaria na “republica” dos oficiais solteiros. E assim foi feito.
Na hora marcada entramos no Jeep, passamos pelo centro da cidade e fomos conduzidos a um bairro mais afastado com ruas sem calçamento. Em certo momento o Maj. parou o jeep em frente uma casa e chamou: “D. Fulana!”, apareceu uma senhora e ele disse: “estou aqui apresentando os novos aspirantes, seus futuros clientes”.
Nós fardados de mala e espada em punho, esboçamos uma “boa tarde” meio sem graça. Seguimos para mais duas “casas” onde foi repetida a apresentação (eram cabares).
Finalmente nos levou para a “república” dos oficiais solteiros. E foi assim a nossa apresentação em Santiago RS- Fevereiro de 1951.

b)    2º GACav 75- falta de oficiais
A OM, na época só possuía quatro oficiais combatentes.
Um Maj. no comando e três tenentes de turmas anteriores nas funções de sub cmt, S1, S2, S3 e S4. Ao chegarmos, embora com inicio de Estagio, eu e meu colega Roberto Mello (mais tarde engenheiro de armamento pelo IME), fomos contemplados com as demais funções, tais como: oficial de topografia (adj do S2), oficial de transmissões, CLF das duas Bias de Can, diretor da Escola Regimental, Oficial de Educação Física comandantes das três baterias. Logo houve a incorporação e a primeira instrução, com os recrutas ainda em trajes civis, e ministrada por um cabo em cada bateria, foi a utilização correta do WC e chuveiros com demonstração ao vivo. Pois a maioria dos recrutas era oriunda de campanha ou colônia e não conhecia WC ou chuveiros.

c)     Tiro de Artilharia
O Mello e eu, nas andanças pelas funções, constatamos que o grupo não realizava o tiro com os canhões há quatro anos, embora com sobra de munição. Lembro que cada peça possuía um livro para registro dos tiros, com data e carga utilizada e observações.
Falamos com o comandante e nos comprometemos a atuar em todos os setores para realizar o tiro na época prevista.
Iniciamos os trabalhos, primeiro pela topografia, manutenção dos GB e Teodolito, além das trenas e balizas (não havia ainda GPS); passamos depois para material de telefonia, todo ainda original
 KRUPP. Fomos depois para material de Art. regulando cada peça. Resolvemos que a CTir ficaria, inicialmente, no PO, pois como éramos apenas dois, um estava como CLF e outro na CTir e PO.
A partir dai toda a quinta feira, seguia uma Bia de Can, reforçada em pessoal pela outra Bia. Fizemos a primeira Escola de Fogo na Invernada REIÚNA a mais ou menos 18 km do quartel. A partir daí, toda a quinta-feira seguia uma Bia. O sucesso foi grande, pois até os oficiais do QG (1º DC), resolveram participar e assistir ao tiro.
É provável que tenhamos cometido alguns erros por falta de experiência, mas nos realizamos pelo sucesso da missão cumprida.

d)    A Grande Seca- 1952
Santiago ainda não possuía Hidráulica. Cada residência tinha um poço cavado no pateo. O quartel tinha um poço profundo e a água era retirada pela compressão utilizando um motor diesel. A OM possuía seis pipas tracionadas por muares, que em tempo difíceis, supriam as casas de oficiais e sargentos.
Em março de 1952, começou a diminuir a vazão do poço que tinha que atender ao pessoal e cerca de 580 cavalares e Muares. O novo comandante do quartel, resolveu levar os animais para onde existisse água. Conseguiu uma fazenda a 40 km do quartel na estrada Santiago/ São Luiz (4º Lageado – Pilão D’água).
Recebi a missão de levar por terra a cavalhada e uma equipe de mais ou menos vinte elementos (sargentos, cabos e soldados). O quartel só possuía um caminhão, tipo comercial, para conduzir diariamente o milho, alfafa e gêneros para o pessoal. Levamos também cochos de madeira para o milho. Adotamos o mesmo sistema do quartel, usando clarim para o pessoal e forragem, que era obedecido por todos (inclusive animais).
A missão durou 12 dias até que viesse a chuva e diminuísse a canícula.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Enterro do Ex Presidente Getúlio Vargas


          Enterro do Ex Presidente Getúlio Vargas

No dia 24 de agosto de 1954, estava em  São Borja no 1º grupo de Artilharia a cavalo 75 mm, no quartel atualmente ocupado pela 1º Companhia de Engenharia Mecanizada.
Cumprindo minhas tarefas rotineiras, ministrava uma instrução e segui com o curso de cabos para o campo. Cerca das 10h30min chegou uma viatura do quartel ¾ toneladas chamada “Maria Gorda” o motorista transmitiu-me o recado do Comando para retornar imediatamente ao quartel. Mandei encilhar os cavalos e nos tocamos ao trote para o aquartelamento. Ao chegar fui informado que o Presidente Getulio Dornelles Vargas, havia se suicidado cerca das 08h00min daquele dia e que seu enterro seria feito em São Borja.
O clima era de perplexidade e apreensão. como organizar a chegada de pessoas que viriam para a cidade? Garantir a segurança providenciar acomodações. esperava-se um grande numero de jornalistas, políticoscorreligionários, haveria muita gente se deslocando, para despedir-se de Getúlio. o momento era trágico e mobilizava todo o Brasil. 
Após o almoçarmos, tivemos uma reunião com o prefeito, juiz de direito, padre, comandante da guarnição e outras autoridades do Município, com o objetivo para planejar como seria feito o enterro e quais providencias as necessárias.
A segurança da guarnição entre a estação de Viação Férrea e o Rio Uruguai cabia ao grupo de Artilharia.
Coube a mim a segurança do campo de pouso, eu era 1º Tenente da  2ª bateria a quem cabia a segurança do campo de pouso. Na primeira hora da tarde reuni os meus sete Sargentos mais dois Cabos e fomos a cavalo para o local de pouso. Não existia nenhuma edificação. Munido de  Levei trena e medi a extensão (de grama) era 750 m de comprimento sentido Norte Sul e 25 m de largura.
Lembrei-me das minhas viagens ao Rio de Janeiro, do Aeroporto Santos Dummond onde notávamos funcionários que orientavam os estacionamentos dos aviões, utilizando bastões branco com lanterna na ponta.
Procurei água e não encontrei por perto, determinei a um dos  sargento que , voltasse ao quartel trouxesse na pipa tracionada por mulas e que também trouxesse alimentação para o pessoal do jantar, pedi que arrecadasse todos os lampiões a querosene pois imaginei uma  possível chegada do aviões após escurecer como de fato ocorreu. Demarcamos a cabeceira e o fim da pista e alguns pontos dos 750 metros. Organizamos as áreas de estacionamento da seguinte forma:  na parte Norte para os aviões grandes DC3 usados na segunda grande guerra, no mesmo prolongamento denotamos estacionamentos para aviões médios de dois motores e na parte esquerda estacionamento para pequenos (teco-teco). Solicitei, que a carpintaria do quartel confeccionasse bastões de madeiras pintados de cal. Cerca das 19h30min chegou um avião pequeno demarcamos como planejado a pista o campo de pouso não possuía Biruta, aquele cone de pano que indica a direção do vento, fiz sinal com uma lanterna para que ele pousasse. 
Levei do quartel um Avam Trem que é uma viatura onde se leva material (picaretas, pás, e um cofre de munição). Pensava oferecer este Avam Trem para levar o corpo até a cidade, na primeira noite pernoitaram no campo 35 aviões de diferentes tamanhos  alguns só largaram passageiros e seguiram, cerca de 16h00min do dia 25 de agosto chegou o avião da força aérea com o corpo do Presidente. Falei com o piloto e informei a ele que estávamos fazendo a segurança do campo de pouso e tínhamos uma carroça de artilharia onde o corpo podia ser transportado.
Como a família estava desgostosa com os militares não aceitaram nem eu falei que era sobrinho neto do presidente, o corpo foi levado nos ombros do povo até a prefeitura mais ou menos 8 quilômetros, com revezamento entre o povo.
A noite fui a cavalo à prefeitura fardado e notei que me hostilizavam. Dirigi-me a conhecidos e informei ser sobrinho neto do presidente e que estava ali nesta situação. No dia seguinte cerca de meio dia o corpo foi levado ainda nos ombros do povo para o cemitério Jardim da Paz onde foi enterrado. 

Ao Museu Getulio Vargas- São Borja-RS

                       
                      
Ao Museu Getulio Vargas- São Borja-RS

Estou oferecendo, para integrar o acervo do Museu Getulio Vargas, a espada que pertenceu ao meu bisavô, General Manoel do Nascimento Vargas.
Esta espada ele adquiriu na campanha do Paraguai, quando a 08 de maio de 1866, foi promovido a Alferes.
Usou-a até o termino da guerra, quando já capitão retornou a São Borja cujo regimento foi dissolvido em agosto de 1870.
Posteriormente quando da Revolução Federalista como Ten. Cel. da Guarda Nacional, organizou a 5º Brigada nas nascentes do Rio Butui, seguiu com a ela até a Serra de Caverá tomando parte, no combate de Inhandui (Alegrete), portando esta espada, em 1892.
Em 1893 o presidente Marechal Floriano Peixoto, o agraciou com as honras de Coronel de Exercito Brasileiro por sua atuação na Revolução Federalista e Guerra do Paraguai.
Em 1895 o Presidente Prudente de Moraes, concedeu ao Cel. Honorário do Exercito, as honras de General da Brigada do Exercito, pela dedicação e Bravura em defesa da Republica.

São Borja, 03 de setembro de 2012.

Fernando Vargas Souto

Carta de Doação

     CARTA DE DOAÇÃO.

Regimento dos Museus- Decreto nº 12.744 de 14 /09/10.

Ilmo. Sr.
Julio Corrente
Coordenador do Museu do Contestado
Caçador – Sta Catarina.


Eu, Cel. Fernando Vargas Souto, R1 residente  na Rua Olinto Arami Silva 451 , na cidade de São Borja –RS, venho por meio desta doar os seguintes objetos;

1. Designação dos objetos:
a) Uma espada com punho e bainha de Prata, com detalhes em Ouro, com dedicatória gravada por admiradores e amigos do Cel. Carlos Frederico de Mesquita, meu bisavô, que faleceu em 1933 em, Em Porto Alegre.

b) Uma espada com bainha, em parte de couro, recebida do Comando do Exercito em 1911, quando foi promovido a General de Brigada. Possui uma placa de prata com a gravação “ Marechal Carlos Frederico de Mesquita”.

c) Uma foto, tirada possivelmente quando Major e que servia no 30º Btl de Infantaria.

d) A FÉ DE OFICIO, compilada por tradição oral (familiar) e por um artigo do professor ANTÕNIO DA ROCHA ALMEIDA, publicada no jornal de Porto Alegre- O CORREIO DO POVO, possivelmente na década de 1950.

2. Nome e Morada da Instituição beneficiaria da doação:
MUSEU DO CONTESTADO – Caçador Sta Catarina.

3. Condições da Doação:
A doação foi realizada, inicialmente por troca de e-mail e posteriormente envio de Sedex em 8/10/2012.
A finalidade é preservar o vulto e manter a memória do Marechal Mesquita que além de várias comissões militares, comandou uma expedição que atuou no vale do Rio do Peixe região de Caçador, na Guerra do Contestado.
Estas espadas são doadas por Fernando Vargas Souto, bisneto do Marechal e que permite a figuração de seu nome nas obras quando expostas, não manifestando nada em contrario.
4. Condições de aceitação:
A condição proposta é que o objeto seja original e não cópia. Portanto os objetos acima foram criteriosamente analisados e pertenceram à família desde o falecimento do seu titular em1933 em POA.
Procedência:
  Já descrito no documento acima.
                                                           São Borja, 8 de outubro de 2012

                                                             FERNANDO VARGAS SOUTO.